terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Peregrino do Amor,

Uma só flor,
desbotada, sem ardor...
Uma página vazia de tudo
Sobre a mesa, na branca toalha
O culto solene d´um Nascimento
Há muitos anos...,vida e tormento,
Posto na cruz enxangue e mortalha
Jesus, peregrino do Amor (...)

Choram os botões e as rosas
Jardim criado..., invisivel Jardineiro,
Esmorecem as flores, em janeiro
Gelam as águas maravilhosas...;

Caminhos por onde andou
Iluminou,
E gente curou...

Desce meu Jesus,
Fita-nos nos olhos..., faz juz
À Justiça...

Ofélia Cabaço
25-12-2017



quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Ilha de Açucenas...

Quando no céu escuro
brilha uma só estrela, perdura
frente ao teu sentir uma esperança
divina, sem forma e espessura,
apaziguadora, leve como a brisa,

que nos acaricia em dias intemporais
aonde as aves instigam seu esplendor
no canto e na suavidade da Natureza,
uma afetuosa mão  te toca, um gesto

indelével ao teu coração honesto,
quando uma macieira a maçã encobre
como proteção ardente de mãe e filha
restam as folhas verdejantes, visíveis

em identidade, forma e beleza...,
ser-se existente, ter saudade de um lugar
silencioso que ilusoriamente nos espera a sorrir,
é esperança que a vontade escuta, encantos

sobrepostos aos flamejantes prantos,
às pragas e aos quebrantos,
mãos erguidas e a Deus consagrar,

quando a tarde cai,
envolvida de música é um som
sem som comparável ao Silêncio.

Ofélia Cabaço
Janeiro -08 20232















terça-feira, 21 de novembro de 2017

Um Ano Depois Da Tua Morte,

Sem ti, um ano...,
Em cada dia teu sorriso exânime
Saudade..., caminho morno,
Ao Sol peço que me anime
Ainda gostas de margaridas amarelas?
Na tua sepultura uma jarra com elas
Coloquei para ti meu amor...
Sentei-me no mármore frio, mudo, e chorei...
Sempre soube que gostavas de conversar:
Ainda gostas de mim? - perguntei,
No silêncio manso do cemitério,
Uma folhinha balançou – mistério,
Com odor rescendente...,
O meu peito ardente!

Despedi-me...
e disse-te, muito baixinho: Meu Amor,
Voa, voa como as andorinhas na primavera...

Ofélia Cabaço
2017-11-18





O Rio e a Glicínia

No fundo do quintal uma glicínia
Trepava em direção ao rio, Virgínia,
Encantada, contemplava o rio e a glicínia...
Ciciavam fervorosamente ao nascer do dia,
O rio e a glicínia...,

Enchiam o ar de vida e cheiros,
Na tela, Virgínia, pincelava cor magenta
Na ilusão inquieta de transformar o Tempo
Da Vontade, a Esperança tudo aguenta (...)

Tempo de todos, aquele, que um dia se esvai;

Tronco e ramos vestidos de roxo, curvados,
Abriam seus belos braços, estenderam mortificados,
Sobre o rio da água enamorada, as mais belas glicínias;

E porque morrem as flores e a água corre,
O silêncio e o tempo abafam vidas e cheiros...
Neste manto terreno é a Esperança que nos acorre.

Ofélia cabaço
2017-11-20





quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Madrugada,

Tremia e não dormia,
Minh´alma e meu corpo de mãos dadas
Saudades de ti..., foi-se a acalmia,
Abri a janela para entrar a madrugada;
Beijei teus beijos escondidos na falda
Do pijama que vestia...;
Em cima das chorosas dálias, uma grinalda
Em cor violácea,
No chão do jardim, quietas folhas brancas
Pareciam hóstias imaculadas...,
No meio do Nada o teu rosto jovial
Com o grande sorriso habitual (…)
É eterna a saudade de tocar
Os teus lábios, e, ao teu ouvido balbuciar:
Quero-te no meu abraço...
Ofélia Cabaço
2017-09-25

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Basta TER!

Palavras são ouvidas,
Escritas..., entre linhas e hipocrisia,
Fabulosas..., quase parecem verosímeis
Tantas são as badaladas...;

Que o vento leva na fantasia,
Deixando-as no regaço de nuvens “respeitáveis” (…)

Ah! o Mundo...,
Como diria Unamuno:

Que soy?
  • "Para el universo no soy nada,
    Para mi lo soy todo."


Ofélia Cabaço

2017-09-18

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Amor em Exílio..

O velho muro pedra a pedra construído
Robusto, firme aos vendavais, defeso
Numa época em que o respeito persiste
Na alma nossa;

Numa visão d´amor contido
Evidencio instantes, e o meu coração aceso
Num tempo em que o tempo insiste
No amor em perpétuo exílio, descrentes

São os meus anseios...,
Decaído o velho muro, desconstruído,
Não derrubado (…)
Vestiu-se de perene vegetação;

Num misto vergel e frágil ilusão...,
Quase tudo foi levado no tempo, perdido
Num fustigado tempo,
Nem eu sei porquê!


Ofélia Cabaço
2017-09-15






quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Borboleta Branca,

Perguntais-me ó borboleta porque estou triste,
Respondo-te na minha mudez costumeira
Que tudo vai sem retorno, em riste
Ó borboleta branca, vida tua efémera...;

Alegria, que se esvai em resignação (…)
Se até os deuses choram, ó Redenção!
Abeira-te de mim músico peregrino,
Ensina-me a compor um glorioso hino...


Ofélia Cabaço

2017-08-23



segunda-feira, 17 de julho de 2017

Criatividade,

Se banal fosse a criatividade
O mundo seria entediante
Um poema, uma pintura, ante
Verdade, Existência, gerar e produzir

É como uma estrela que a guia
Não é chiste...
Emerge do que na alma achaste,
Opsis mística (re) constituída

Em formas na realidade opsis
Uma voz antiga, muda,
Que em ti persiste, aguda
E te ordena criar (…)

Ofélia Cabaço
2017-07-18




quarta-feira, 12 de julho de 2017

Nostalgia,

Consigo em alguns momentos
a minh´alma arejar,
Hoje...,
Vontade não consigo arranjar
Apesar do Sol e o Vento juntos

Ao meu ouvido com suspiros esperançosos
Sei bem que são conselhos vaporosos,
Nada mais...,

Transparente é a Nostalgia
Antes de ontem, ontem e hoje, agia
Na minha mente figura impossível
De tal forma intransponível...,

Nem os meus ais escutou,
Nostalgia...,
Invade e não fala,
O coração cala,
E a Vontade matou!


Ofélia Cabaço
2017-07-12



quinta-feira, 6 de julho de 2017

O Teu Abraço!

Dei-te, meu menino, muito beijos...
Tão poucos quanto hoje são desejos,
Tão poucos!
Soubera eu deixar fluir,

O manancial dos meus afetos
E libertinamente deles usufruir,
Naquele tempo que já foi
Esquecemo-nos de nós...;

Inda hoje, meu amor, ausente
De maldades delirantes, teu espírito pressente,
A inveja e a obstinação..., do que é óbvio
Dos desejos e anseios pelo declívio!
Onde estás, sei que bem, meu amor,
Dá-me a tua mão...
P´los campos de mãos dadas
Procurarei a tua azul flor;

Recordação...,
Juntos, nos campos de mãos dadas,
Contemplando campânulas e rosas pálidas
Nas tardes campestres com Sol intenso
O nosso amor foi imenso...

Perdida estou neste lençol da saudade
Há dias que não assomo claridade,
Só queria o teu abraço!

Ofélia Cabaço
2017-07-06







quarta-feira, 5 de julho de 2017

Beleza Efémera,

Lindas são as borboletas, de muitas cores
Beijam deliciadas mil flores,

Encanto,

Nos jardins belos e lugares adormecidos
Sempre que existem borboletas
Há presságios e Poetas...
Homens choram padecidos;

No Mundo em cada canto,

D´infortúnios e atormentadas dores
Os homens...
Viajam insaciados a caminho do começo
Tudo é, e não é chegando o fim,
Vida fugitiva, relâmpago que não se deixa sentir (…)

Assim é a humana vida, dolorosamente!
A borboleta voa..., voo efémero,
Na sua alegre existência, equivalente
à fugaz Primavera...

Ofélia Cabaço
2017-07-04





Silêncio...

Silêncio perturbador…,
Demorado e quente, abrasador,
A tarde dolente e no coração ardor,
Silêncio…

Foi-se a desgraça, 
Andorinhas aos pares, indo
Á brisa do mar trazendo esperança,
Fernesi vivaz em suas asas, indo, indo...

Voando no imenso azul do céu,
E nos beirais, ao entardecer
Voltam os cânticos, como rosas
Magníficas no meu colo caídas; 

Porque aquele silêncio não volta (...)
Como, quando a haste do ramo se solta
E á árvore não volta...

Ofélia Cabaço

2017-07-03




segunda-feira, 19 de junho de 2017

Sem Título

Quando as flores não têm cor
E o seu perfume não exalam
É porque os meus sentidos
Em uníssono Sentido acatam dor

Trémula boca com dor mais alta,
Sorri do alarido tumultuoso em minh´alma,
Sonhos e prazer perdidos...
Nem asa, nem casa, nem nuvem acastelada

Nada! Nada importa...
Quando a dor me bate à porta,
Tirana, ali fica, e em mim insiste,
Não fora a Natureza, a noite e o dia...,

A alvorada e o seu cantar...
Seria eu espectro lívido e triste;

Ofélia Cabaço

2017-06-19



domingo, 18 de junho de 2017

Não Ser...

Abrasadora se abre esta tarde
E se estende como lagos, na quietude
D´um Tempo muito antes (…)
Coração meu..., silenciosamente arde

Memória e pranto, amplitude
Imensa, e o vozeirão do mar,
Cambiando as minhas ânsias
Quero tanto amar-te!

Quero comigo ter os nossos corações 
Sou ave, neste embalo de recordações
No teu sono, nada te perturbará,
Só eu, e esta tarde quieta te consolará!

Porque estou aqui e por ti velo
Não há noite escura, fervoroso é o anelo...

Ofélia Cabaço
2017-06-18




quinta-feira, 11 de maio de 2017

As Montanhas Eram Verdes,

E, as montanhas eram verdes,
Com rodeio de urzes e alecrim
No silêncio do esvoaçar dos pássaros
E na absoluta quietude das tardes;

Sopros melodiosos de ti para mim,
Que é de ti a voz que eu adoro
E, as montanhas verdes,
Cobriram-se de luto e choro...

Uniram-se em tragédia e tristeza,
Anseio frémito, dor e incerteza,
Espaço mudo ficou, essência
Poética da beleza que se alteia…,

Ai, o meu coração, pouco crente…, 
Nada a ti se assemelha,
Colinas e pradarias desertas, 
Nem mesmo a Lua se espelha!

E, as montanhas eram verdes...

 Ofélia Cabaço
2017-05-11




terça-feira, 9 de maio de 2017

Venturosa Vida

O Amor é Perfeição
Semente boa floresce,
Em ruim prado emerge
Regá-la é dedicação...

Da Existência não há confusão
O que é, É..., consciência
Manifesta em teus olhos
Singela flor resistente à agonia;

Que nem o vento varreu, venturosa
Vida que precedeu a Existência...
Bendita Cotovia
Que te deixou nos escolhos...

Dentre o gelo não existe flor, prevalece
O frio que lhe antecede, acontece
O degelo e as aves voarão, do solo
Brotarão as mais belas flores, consolo!


Ofélia Cabaço
2017-05-08




sábado, 6 de maio de 2017

Devaneios...

A juventude passou pé ante pé
Subiu a escada e fugiu p´la varanda
Como uma traiçoeira onda...

Há pouco observei o meu rosto
Mais do que rugas, vi tristeza, deposto
O latejar da minha fronte,
O passado a bater-me à porta, em frente

Passa a vida carregada de firmeza
Mas..., não fora a vida quem será?
Está lusco fusco lá fora,
Apetece-me ir embora...

Não é medo com certeza!

Depois pensei numa laranja
A sua cor fez-me pensar coisas
Muitas, imaginei um laranjal frondoso
O vento fez cair uma e outras laranjas

O laranjal continuou com seu ar majestoso
Não obstante...,
Um dia vou ter um laranjal generoso

Talvez num lugar distante...
Com doces vozes e muitos sóis
Sei que ali nada morrerá, adiante...

Ofélia Cabaço
2017-05-07



quinta-feira, 4 de maio de 2017

Foram-se os Sentidos,

Corri pelos campos alucinada
possuída de desgosto e dor,
Minh´alma tão cansada...

Ali, e acolá, colhi para ti flores,
Havia no ar um sussurro expectante
E o Sol brilhava intensamente,
Ao mesmo tempo um cruel tormento;

Sentei-me junto duma ribeira, pensamento
Com asas feridas e a tua hora derradeira (…)
Chorei, chorei muito,  colhi para ti flores...
A tarde era linda, silenciosa e verdadeira;

Estendeu-se o calor e um beijo
Lábios trémulos e rugas molhadas;
Uma prece, um desejo, saudade
De noivar e de te amar em qualquer idade...

Ofélia Cabaço
2017-05-04


sexta-feira, 28 de abril de 2017

A Bem Formada

A rata derrubou a montanha
e à formiga disse ser o vento,

Sou bem formada, alvitrou a rata...
Os meus sentidos ornamentam manha,
Deixá-lo, ninguém repara, só tu!
Porque sou bem formada, tento
A cada instante oferecer o que me mata...

Continua a rata...

Todos me toleram, sou bem formada!
Não que alguém mo tivesse dito,
Mas sei que sim,neste caminho meu,
Tão estreito,tão direito...,tão a eito (…)
Sou bem formada...
Penso em mim e de mim penso
De mim gosto, sou tão querida,
Sou bem formada...
Direi: não foi por mal!
Sou tão querida, sou bem formada!


Ofélia Cabaço

25-04-2017



quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ninguém...

Longe do povoado faço doces, longe
Planto framboesas no pomar...
Quando do intelecto me despeço
À beira de todos sozinha, meu amado (...)

Da terra brotam ervas e rosmaninhos
Naturalmente..., giestas ondulantes em Março,
Marcelas lourejam aos raios do Sol, ninhos
Aveludados com musgo e tenras folhas...

Em cada flor o seu aroma, esperança
Em ouvir tua voz...
Um suave influxo me assalta,
E uma luz sumida me faz perder a confiança

Oh! sem ti tudo me falta...

Ofélia Cabaço
2017-04-05






terça-feira, 14 de março de 2017

Finito

Naquela noite inclemente
A tua mão descansou sobre a minha
O meu amor por ti foi tanto, ardente
A tua alma perfumou o instante...

Como airosa flor,
O teu coração gigante,
Adornou o meu, com frescura e amor
Olores a lírios do campo floridos...

Oiço a tua voz dócil como néctar
Nos lugares por nós percorridos
E o vento norte a faz vibrar, mensagem
Trazida das nuvens para me alimentar,

O Bem tão teu, arreigado em ti,
Leve como o ar da primavera
O sopro que me deixaste..., senti

O caminho acabado, nada retempera
A água a correr no Templo da vida,
Uma infinita paragem...


Ofélia Cabaço
2017-03-14


domingo, 5 de março de 2017

Maldade,

Terra nossa bendita
Onde o Bem prevalece
Sob denso véu se esconde a maldade
Espectro que não é o que parece
E se alevanta a todo o tempo e idade (…)

Floresta desventrada, doença tísica
Corpo sem alma que abate
Quem as trevas combate,
Se impõe na má-fé, predita

Ódio, inveja pela calada do dia...

Quando a noite é infinita
Em dor, sofrimento e choro
Para quem nada mais podia...
Desumanidade e rancor, agora

Rosto de falsa beleza
Abrigado em frágeis arvoredos
Sobre túmulo de memórias e segredos
Não! É de má cepa o tronco!

E por má raiz primitiva,
Ódio e vingança motiva...
Onde o Bem prevalece,
O sentimento alvorece!

Na contemplação do Universo
O AMOR é uno,
E, um poético verso!

Ofélia Cabaço
2017-03-05





sexta-feira, 3 de março de 2017

Tenho Frio,

A chuva caía ruidosa
Olhei o molhado nas coisas
Vi chorar o limoeiro, triste...
Desigual a outras vezes,

Olhei o teu retrato, saudosa,
Lembrança que me assiste...
Pois ali, sabia eu que estavas,
Que me importa a Razão?

Dizem-me para seguir,
A Primavera acontece...
Para quê conseguir?
Se há dias que se fecham as flores,

E o mundo não tem cores...
De mim se esquece o Sol, tenho frio,

Do mais fino ao simplório
A dor devora sem clemência (…)

Ofélia Cabaço
2017-03-03




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

À Beira do Março

O Sol insinua-se de mansinho,
Andorinhas no ar cantam a madrugada
A pouco e pouco o meu espírito resplandece
Na magia do renascimento...

Folhas secas despedem-se como pensamento
Desfeito em águas impuras, padece
A recordação dos teus lábios, sonhada
Ilusão que revejo no teu lugar sozinho;

Olho as flores que em tempos amaste
Cores e perfumes, olores que me deixaste,
E tudo me parece um diálogo
Tu e as flores, um saudoso epílogo...

Ofélia Cabaço

2017-02-20


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A Névoa que Te Esconde,

Inclino-me sobre as águas
O rio a tua imagem levou
A minha e não a tua...,
O que vi,
Uma ave a voar
O gemido do vento na minha face
Silêncio e um queixume no ar
Prevalece...,
O soçobrar entre ramagens
E os narcisos viçosos nas margens
Nossos pés não caminham o mesmo chão
A saudade no meu coração,
O teu rosto de tanto lembrar,
Irreconhecível numa densa névoa
Que apenas me deixa o teu sorriso vislumbrar
Aceno-te e grito o meu amor.

Ofélia Cabaço

2017-02-14

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Na asa d´uma Borboleta (...)

Procuro-me a cada instante,
Nada sei do que sei, não me encontro...
E, o tempo prolonga-se..., não obstante
O desacordo entre meu corpo e minh´alma,

Sinto o grito do meu silêncio, cansada,
Das coisas que conheço, busco o desconhecido
Para além da floresta e das árvores, desejo
Renovar minhas ideias, ouvir meu coração velado,

Contemplar a rosa...
Perfeita como uma deusa cheirosa...
Que se abre ao tempo, lampejo
Que se reflete no sentimento, efémero,

Sentir as moitas verdejarem e a flor d´amora
Desabrochar na sua natural liberdade
Amendoeiras rosáceas, eu e tu outrora
De mãos dadas, sem tempo nem idade;

Há dias eras tu na asa d´uma borboleta
Sim, eu sei, tu dizias: coisas de poetas!

Ofélia Cabaço
09-02-2017


domingo, 5 de fevereiro de 2017

J.F.C.

Duas lágrimas frias
Intermináveis...
Correm minhas faces, todos os dias
Dizíveis...

Na minha alma, esta nova dor, rebate
Um obstinado pensamento, razão
Desordenada, e minha vida cambiante (...)
Par que me atormenta e me roubou a firmeza,

Não é como dantes a Voz do vento
Nem as aves cantam com leveza
E os rebentos, preguiçam nos galhos...
As folhas caem amarelecidas, tédio, desejos

Impotentes em que se enrodilham os cadilhos
E as lágrimas geladas...
Insistem fazer dos meus olhos nascente,
Correm deliberadamente, de mãos dadas

Numa abundância desmesurada, cadente
Sinto-as verter, sem crer no que quero
Talvez Justiça, neste Mundo austero (...)

Choro, e parada, corro como o rio impuro
Procuro o vento, aquele que me fala, perjuro
A morte que me roubou e um Bem me levou!

Ofélia Cabaço
2017-02-02