domingo, 29 de maio de 2011

NOSTALGIA

Levamos dias, semanas, meses, anos da nossa vida a imaginar pessoas que até podem não ser fantásticas, mas que nos entendem, que percebem o nosso olhar, a nossa sensibilidade, os nossos gestos, a nossa capacidade de amar, de partilhar este mundo e a nossa vida de maneira saudável, intelectualmente, sentimentalmente, politicamente até, mesmo que, as opiniões divirjem,imaginamos momentos especiais, daqueles que se instalam no melhor cantinho da nossa alma.
Depois pensamos e sentimos que aqueles momentos ficam com a porta entreaberta, muito quietos naquele sítio, à espera..... a porta continua semi-aberta e de quando em vez todos aqueles personagens espreitam e continuam à espera sem nunca se deixarem adormecer.
Entretanto, imaginam outros mundos, outras personagens, outros sentimentos, mas nada resulta porque alguém é ninguém......
Mas, se pensarmos que o pensamento é a forma de pensar para pensarmos algo, que nos inquieta e hipocritamente nos facilita o imaginário para logo a seguir nos tornar num só pensamento egoísticamente negativo e desprovido de todos os primeiros pensamentos.
Não...não quero sentir isso,!?!,afinal vale a pena pensar! É o pensamento que nos atos que se seguem nos fazem felizes ou infelizes, que nos ajudam a crescer, que nos fazem perceber que, apesar de tudo, vale a pena viver.
A vida é um empréstimo que nos concederam, para saborearmos tudo o que nela contém,até que, aquela personagem, escura ou talvez não, dependendo do ânimo ou desânimo no  momento, a morte, nos convida a um longo passeio sem regresso.
Ela, penso, vai abeirar-se de nós com um sorriso malicioso, com uma fingida leveza de espirito, para lhe darmos a mão sem nenhuma trégua.
Nada de surpreendente, pensamos nós, talvez,na minha caminhada p´la vida, encontrei muitas mortes, escuras ou talvez não......

Ofélia Cabaço, 29 de Maio de 2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A CERVEJA

estava eu, como habitualmente, a tomar um café pelas onze da manhã, quando do outro lado do balcão reparei que um sujeito,  mal vestido e sujo, pedia qualquer coisa que, de longe não consegui discernir, mas apressada, como quase sempre, no meu raciocinio, julguei que era comida. E, reparando que a funcionária fazia um gesto negativo com a cabeça, fiz sinal e propus-me  pagar o que o  mendigo estava a pedir. Cada vez mais, sinto uma enorme arrelia misturada de tristeza, quando sinto que alguém tem fome. Depois disseram-me, que ele queria uma cerveja, obviamente, que não estou de acordo que se alimentem vicios, mas não fui capaz de negar tal pedido, uma vez que no rosto do mendigo havia uma ansiedade, uma insegurança que me fez lembrar uma criança separada do seu brinquedo mais querido.
Aquela expressão quixotesca, sem o seu sancho pança, e sem vislumbre da sua dulcineia, fez-me pensar que não havia mal nenhum em satisfazer aquele desejo, que por si só, não ia, nem aumentar nem diminuir o seu companheiro vicio. Afinal, penso que, por momentos, o mendigo ficou mais calmo, mais feliz a viver o seu mundo, para ele cor-de-rosa.
Reconhecidamente disse-me : é uma santa ! e,  eu disse-lhe : olhe que não, sou muito má e acho que se está doente não deveria beber cerveja!!! não obstante, ele estendeu-me a mão para cumprimentar-me, e, eu ao de leve toquei-lhe, porque a mão estava muito suja e, eu ainda não tinha acabado o meu café.
Afinal, às vezes apregoo que não devemos ser elitistas, eu creio que não sou, mas não deixei de recusar o cumprimento, que possivelmente, seria importante para o mendigo.
O cheiro também me incomodava, pensei na Madre Teresa e noutras personalidades que independentemente dos cheiros, dos vicios, das misérias, crenças e marginalidades, fizeram e fazem, o bem p´lo ser humano, especialmente escutando-os e ajudando-os sem se preocuparem com os tais cheiros, com as tais sujidades. Nós nunca somos totalmente o que pensamos que somos, p´lo menos no que respeita à partilha, ao sacrificio e até ao amor!
Vivemos numa selva, é o que penso muitas vezes, mas, de repente eu sou uma das personagens activas nesse teatro e quase nem dou por isso.
Quando vejo aqueles grupos de refugiados, (libia, tunisia etc), fico chocadissima e impotente. Penso: mas será que qualquer um de nós não pode fazer mesmo nada? A comunidade europeia de ajuda é de uma hipocrisia danada, nem sequer reparam nos Países que com problemas internos, têm ajudado no que podem aos ditos refugiados. E, porque não ajudar aqueles países com mais afinco e organização?  eles fogem dos seus países, porque têm medos, receios, perderam entes queridos nas guerras, porque são rejeitados e ainda sonham com melhor situação de vida e trabalho. O receio à entrada de criminosos na europa é uma demagogia, porque a comunidade internacional pode e deve fazer um trabalho, onde estas situações sejam resolvidas sem sacrificio dos que apenas e somente querem viver!!!
Ficamos na história dos colonos em africa, no congo e até nos paises da américa latina, os conquistadores  ( portugueses, espanhois, ingleses, franceses etc etc etc...).achavam que iam civilizar a raça negra, quando eles próprios não eram civilizados e foram autores das maiores atrocidades. Viviam embebidos da ganância, do poder e do chicote.......
Tudo isso para dizer que em pleno seculo XXI  ainda se vivem tempos turbulentos e até quando, o mundo vai ser governado por pessoas que, pouco ou nada fazem, para colmatar essas rixas , utilizando conceitos objectivos, justos, razoáveis e humanos.
Não creio que isso seja lirismo, mas sim um desejo justo e humanamente reconhecido.

Ofélia Cabaço - 25 de Maio de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

TARDE DE VERÃO

numa alameda de terra batida,
alguém caminha lentamente.........
é uma bela tarde de estação quente,
com um cenário opulento,veemente
 de uma vegetação de cores fantásticas,
o verde dos pastos, dos milheirais fogosos,
das sebes bordadas com camélias vermelhas,
mais além, os linhares impoem-se sumptuosos
naquela paisagem tão majestosa, com velhas
e gigantes arvores vestidas  com amarelas mimosas.
é uma tarde visitada por mil abelhas
 envoltas de uma natureza poéticamente teimosa,
a preguiça instala-se sorrateiramente,
revelando e oferecendo uma sonolência.
o cheiro das várias plantas, presenteiramente
enternecem a alma de qualquer mortal,
os pássaros, àquela hora da tarde,
esvoaçam de mansinho, por excelência.
O silêncio obedece humildemente ao pensar,
e à inquietação de uma alma  exangue
e, deixa-a sonhar, sorrir, a  imaginar-se
 num mistico de amor e merengue.

as searas doiradas têm sede,
ficam quietas na quietude, atentas ao barulho,
ssssssssssssssssss.... são os regatos a sussurar,
correm as águas reluzentes e cristalinas
                                                entre as eiras.......

lá longe, muito longe, um cão ladra,
mais nada se ouve, não há ninguém!
ninguém escuta, ninguém oferece um orvalho,
Tudo tem sede....... mas, não há cântaro!


Ofélia cabaço 04-Fevereiro 2009

sábado, 21 de maio de 2011

ARCO-DA-ALIANÇA

O verde da luz tímida das tílias,
o amarelo solar
do matinal cantar dos galos,
o azul feliz das uvas de Corinto,
o roxo friorento das primeiras
violetas, o vermelho
glorioso do grito dos falcões:
de norte a sul
era o arco-iris que rompia
na manhã molhada,
era o inverno que se ia embora,
o velho e sonolento
inverno que partia:
da janela
avistam-se as últimas barcas.
eugénio de andrade

terça-feira, 17 de maio de 2011

HOJE

hoje vi uma pessoa que muito estimo. Surpreendentemente fiquei tão contente e senti um aquecimento na minha alma. Apesar de estarmos todos a atravessar um mau bocado em diversas vertentes das nossas vidas, não existe nada melhor que um sorriso amigo e terno.Já sei que vão pensar "lirica, esta cota!!!!", mas podem crer que, para mim, como tenho dito muitas vezes, estes pequenos nadas são de uma grande importância. Hoje estou contente, o dia está com uma temperatura amena, mas muito saborosa.Ontem senti uma nostalgia, mas de certa forma, saudavel e evidente, reparei como tenho envelhecido e agradeci a Deus por tudo o que tenho vivido, o bom e o mal. O mal, porque me ajudou a crescer e a ser o que sou hoje. O bom, porque em muitas circunstâncias fui muito muito feliz.! Estou a ler o sonho do celta (mário vargas Llosa) e não deixo de pensar como em Africa os nativos foram martirizados pela inteligência fria e maquiavélica dos brancos maldosos e demasiados ambiciosos. As conquistas que, na escola, nos ensinavam a decorar e a honrar os seus conquistadores nem sempre foram das mais justas, bem pelo contrário.
Obviamente que a retaliação era atroz. Mas,os brancos que se julgavem, e até eram, e senão, deviam ser, estudiosos na matéria,ditos civilizados, tinham a obrigação de povoar e colonizar sem tantas atrocidades, ensinando e partilhando.
Enfim, duma forma sintetica, tudo continua igual, mas as acções são praticadas com mais eloquência, não explicitamente, mas muito implicitamente.A boa fé das pessoas está a ser muito utilizada para a multiplicação das riquezas, daqueles que querem sobressair, como os mais ricos disto....e daquilo......... etc.


Ofélia Cabaço   2011-05-17

terça-feira, 10 de maio de 2011

de mim- Ofélia

Tenho mau feitio. Sou contra injustiça, elitismo, ganância, mentira, hipocrisia, demagogia e fundamentalmente oportunismo.
Por consequência, não poderei ser muito feliz com todas as sombras que acinzentam o meu dia a dia. Mais do que lindos discursos (demagogos e hipocritas), preferia um bom exemplo.
Um bom exemplo é, sem dúvida, algo que nos ajuda a lutar e a vencer. Os bons exemplos foram como aqueles quadros pintados a óleo de muitas cores que me fascinavam na infância e me faziam sonhar com um mundo belo e aberto a todas as pessoas.....mas que, hoje estão desfeitos em tons de aguarela..... como os nossos sonhos.....os nossos amores.....as nossas ânsias!!!.Sou de uma ilha onde as pessoas têm o sentimento de AMIZADE e também o de partilha, a poesia que se sente e se cheira naquela bela ilha, nos fazem melhores pessoas, ajuda-nos a pensar uma pouco mais no que é mau e no que é bom.Assim, podemos concluir que os caminhos do amor e da fraternidade são os mais fáceis de percorrer.
Eu, sinto que sou muito dura, quando as pessoas não sabem nem querem reconhecer os seus erros e continuam a acharem-se o máximo. Todos nós erramos, mas quando alguém nos chama a atenção (embora algumas vezes não estejamos dispostos a ouvir esse chamamento)não deixamos de ficar a pensar e a chegar a conclusões do razoável e do que é correcto.
É nestes aspectos que sinto o meu mau feitio. Não consigo lidar com isso!
Mas, se fosse muito boazinha, talvez conseguisse, quem sabe!
Este foi e é um desabafo.
Gosto muito de poesia. Vou estipular uns momentos para o fazer aqui! Voltarei!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

MARIANA e DINORAH

MARIANA e DINORAH eram duas irmãs que viviam na ilha de S.Jorge - nos Açores, com os pais e mais dois irmãos. A casa onde viviam situava-se na cidade, mesmo junto à muralha que namorava o mar. Todas as tardes após as aulas, iam  para a casa da tia Augusta frequentar as aulas de piano. Ambas sabiam bordar, e, nas horas vagas sentadas no alpendre da sua casa ficavam horas a fio entretidas a bordar as suas toalhas com borboletas e margaridas. Mariana era uma rapariga muito alta, inteligente e muito reservada.Dinorah, pelo contrário, tinha um sentido de humor fantastico, tudo lhe servia para uma risada e espalhar alegria por toda a casa. Embora o ambiente lá em casa fosse muito rigido, em termos de educação e regras, as duas irmãs eram muito felizes e fundamentalmente muito amigas. O quarto delas era um espaço que o pai mandou decorar no sotão da casa. Havia uma janela enorme virada para o mar e uma das várias delicias das irmãs era, quando havia tempestade e o mar batia enfurecido no mural gritando mal humorado com as rochas num diálogo fantasmagórico.Naquelas noites de tormenta para os pescadores,as irmãs do seu quarto,apenas vislumbravam pequenas luzinhas no farol onde o Senhor Aniceto vigiava e evitava a entrada de estranhos barcos na ilha. A escuridão era total e não obstante Mariana e Dinorah espreitavam pela janela num mistico de sonho e fantasias.
As criadas, naquela altura já eram de certa idade, contavam muitas histórias de piratas, de  amores e desamores,  passados em tempos remotos,  o que, as impressionava e ajudava a povoar a imaginação de qualquer rapariga naquelas idades.  Nas longas noites de Verão na ilha, elas sentavam-se no balcão sob a centenária magnolia a conversar, ali, a familia reunia-se a tomar chá  e a contar histórias  que tinham acontecido aos  seus antepassados. Toda aquela vivência familiar passada na lentidão e limitação daquelas vidas, inevitavelmente contribuia para uma determinada nostalgia e inquietação. É claro que, de quando em vez eram  surpreendidas por acontecimentos, como a chegada dos primos que viviam nos Estados Unidos , para férias na ilha,  dos tios que vivam em Lisboa e vinham passar temporadas, com os festejos do Senhor Espirito Santo, com a festa do mar, um acontecimento anual e com muitas outras tradições que se festejavam todos os anos.
O Natal era particularmente saboroso e muito generoso em termos de afectos e estados de alma. Nas véspera elas iam  para a quinta na Fajã colher japoneiras e muitas laranjas. Enfeitavam os jarrões com imensas verduras  e as mesas muito antigas ( tinham vindo do Brasil em barcos no tempo do Bisavô) eram cobertas com as toalhas bordadas de azevinho vermelho com folhas muito verdes, muito natalicias. A casa cheirava a cera, as tabuas compridas do chão eram enceradas e brilhavam  festivamente. No ar havia um intenso cheiro a biscoitos quentinhos que a Nélia fazia todos os Natais. A árvora de Natal tocava no tecto, tinha sido apanhada na Fajã pelo Antonino que amanhava as terras e cuidava da casa.
Eram dias de muita festividade, uma mistura intensa de afetos e amizade.
Dinorah eram encarregada de todos os anos no Natal, ir a casa da Baronesa Margarida oferecer um cesto de camélias brancas, alvas como a neve e uma travessa com os diversos doces de Natal que a Nelia confeccionava. A Baronesa era uma Senhora muito bela  e divertida,  sobretudo afável. Convidava Dinorah a tomar chá com ela e contava histórias muito engraçadas. Numa das vezes que Dinorah lá foi, a Baronesa contou que, quando era mais nova,  tinha a mania de vestir os blusões e camisas dos irmãos para assim e deste modo sentir-se mais à vontade. Um dia, sem que o irmão Carlinhos desse por isso, a Baronesa Margarida, vestiu a samarra dele e foi à cidade tirar fotografias para a matricula no colégio. Estavam de férias de Verão na Ribeirinha que ainda ficava longe, não obstante, os ralhos da mãe e das tias  para evitar a ira de Carlinhos quando soubesse, ela não desistiu e lá foi. As fotos ficaram muito bem , ela até ficou  favorecida na sua beleza,que já era evidente.
Quando se aproximou o Natal, o fotografo  mandou lá o empregado perguntar  se podia ampliar a foto e colocar na montra. Nas ilhas havia o dia das montras, todos os comerciante enfeitavam as suas montras o melhor possivel e depois havia um prémio para a mais original conforme a opinião do Juri nomeado. Esse dia era 8 de Dezembro, todos os anos. Claro que a foto da Baronesa Margarida foi para a montra.  Naquele dia, foi um alvoroço de parabéns e felicitações pela sua beleza tão extarordinária. O desagradável  foi,quando o Carlinhos reparou, que ela tinha vestido o seu blusão de camurça verde, sentindo-se traído no seu sentimento de machista ( os homens vestem roupas de homens, as mulheres vestem roupas de mulheres)!!!! e sobretudo sem lhe ter pedido licença. Mas não foi nada que não passasse rapidamente e que não resultasse numa risada saudavel entre eles.
A Dinorah ficava fascinada com  as histórias contadas e tinha um apreço muito especial pela Baronesa Margarida.
Já sendo uma mulherzinha, Dinorah,  continuava a visitar a Baronesa, por indicação dos pais, nos dias festivos na ilha, com os presentes adequados à época da realização das festas.
Aconteceu na Páscoa, Dinorah, caminhava pelo caminho térreo bordejado por  gigantescas mimosas amarelas e brancas, que a levaria ao palacete, quando, reparou num belo rapaz de olhos claros e cabelo negro que arranjava o roseiral num rectangulo de terra vermelha  para lá do caminho das mimosas. O rapaz acenou-lhe, sorriu para ela, piscando-lhe um olho.
Ela ruborizada,sentiu o coração saltar-lhe do peito e caminhou mais depressa, um pouco assustada. Estava já a conversar com a Baronesa e a deliciar-se com doce de amoras e chá Porto Formoso, quando entrou o tal rapaz de botas altas, despenteado, com um sorriso maravilhoso, sorriso esse, transbordante de alegria e gosto pela vida e natureza.
Cumprimentou-a, fez questão de se sentar à mesa e partilhar do lanche. A Baronesa apresentou-o, era o seu sobrinho e afilhado Duarte, estava de férias em de S. Jorge uma vez que vivia em S.Miguel. O rapaz falou de Ponta Delgada dos irmãos, dos pais, dos amigos e muito divertido, contou como era viver num ambiente de sete filhos numa zona chamada Povoação  à beira-mar. Dinorah ficou extasiada, muito surpreendida consigo mesma, pelo afecto que, de imediato, sentiu pelo sobrinho da Baronesa.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

PORTA

Nunca me bates à porta!!!
Fico a cismar, imaginando
aquele momento de me abraçares!
de dizer-te baixinho ao ouvido:-
gosto de ti, iluminas a minha vida!
Penso em ti!
Nunca falamos, nunca conversamos!
Relembro a todos os momentos
o teu doce sorriso, o teu olhar tão terno,
sinto o meu coração envolver-se
de uma claridade e aquecimento
que aos poucos me vai transformando
numa guerreira a sobreviver
de uma guerra sem tréguas,

Talvez o caminho seja longo,muito longo,
as imensas ávores quase centenárias
estendem-se num verdejante cansaço e
deixam espaço aos jovens arbustos,
esses sim, radiosos e viçosos.....
quase imponentes,
na sua curta existência.

A minha alma quer gritar bem alto...

ávores, arbustos, natureza imensa...
podem conversar, podem amar-se,
                 podem sussurrar
A Lua esconde-se radiosa,
Vai a noite harmoniosa,
O Sol nasce resplandecente,
Surge a manhã incandescente...
os meus desejos inquietam-me,
O meu coração chora.....
A minha alma tem frio e,
tu, nunca me bates à porta!

Ofélia Cabaço, 25 de Setembro de 2009