sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
domingo, 26 de janeiro de 2014
Chuva Breve
A chuva na cidade, dançava teimosa
Pingavam gotas nos meus caracóis
Tocou minha face e sorriu
Vi o meu amor majestoso (…)
Sua mão acenou-me sem manha
A alegria libertou meus desejos
Então, doentios e sem ensejos,
Um emaranhado de borboletas
Adormecidas no palco do desencontro
Voaram de folha em folha ao encontro
Duma esperança tímida, quase obsoleta
A minha alma tomou frescura e amor
Arejada, aconchegou sonhos e cor,
Adormeceu na asa duma nuvem
Onde está o poeta? Fingido,
Esquecido!
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
ORVALHO
Encontrei arruinados castelos
Desejos e amores proibidosNas vidraças escorrem lágrimas
Jardins e alpendres chorosos
Ao longe, por cima da colina
Coches suspensos na bruma
Fuga de donzelas impacientes,
Boca grande de gigante branco,
Sussurros para além do firmamento
Suave música dum violino deixado
Junto à vergel pradaria de marcelas,
E as vidraças num contínuo choro
Brilham na noite como brancas salinas
E, ela, angustiada, no silêncio clama
A manhã que desce vestida de penas.
Ofélia Cabaço
2013-08-02
domingo, 3 de novembro de 2013
Silhuetas
O céu dos Açores é azul
Casas brancas com janelinhas
Pespontam o mar da minha Terra
Barcas flutuam no mar azul
Sobrevoam gaivotas vestidas de tule
Tons brancos e cinzentos e as nuvens,
Asas e danças dali ao infinito
Silhuetas, sei lá de quem, vagueiam
O mar,
Ondas agitadas cegam olhares
As promessas incertas navegam
Decerto ficam a morar no firmamento
Envergonhadas como almas devedoras!
Nos vales dos céus, eu vivi um dia
Era imenso o espaço com açucenas e Paz
Havia um manto azul que me cobria
Também harmonia e o Deus capaz,
À porta do céu estava uma barca, alva,
Trazia mil silhuetas, sei lá quem eram,
Chuva de açucenas e asas imensas
Aromas e cânticos, seus prantos calaram.
Ofélia Cabaço
2013-11-01
Casas brancas com janelinhas
Pespontam o mar da minha Terra
Barcas flutuam no mar azul
Sobrevoam gaivotas vestidas de tule
Tons brancos e cinzentos e as nuvens,
Asas e danças dali ao infinito
Silhuetas, sei lá de quem, vagueiam
O mar,
Ondas agitadas cegam olhares
As promessas incertas navegam
Decerto ficam a morar no firmamento
Envergonhadas como almas devedoras!
Nos vales dos céus, eu vivi um dia
Era imenso o espaço com açucenas e Paz
Havia um manto azul que me cobria
Também harmonia e o Deus capaz,
À porta do céu estava uma barca, alva,
Trazia mil silhuetas, sei lá quem eram,
Chuva de açucenas e asas imensas
Aromas e cânticos, seus prantos calaram.
Ofélia Cabaço
2013-11-01
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
A tua Voz
Queria tanto ser artista
Pisar o palco para ti
Contar emoções que senti
Nos sonhos em que foste altruísta
Fala meu amor, tu existes,
No meu palco nunca te ouvi
Oiço cânticos nas noites tristes
É a cotovia que me desperta
E o vento que me faz bater o coração
Sussurra, como quem me enlouquece!
Num retumbante de ilusões e quimeras
Aperto os lábios trémulos, recordação,
Minha alma desinquieta, a cismar
Oro à deusa dos rios e do mar
Peço-lhe cascatas das suas águas
Num turbilhão de sons e música
Canções cristalinas e lembranças tuas,
E a tua ausência que me torna tísica,
Passa por mim e a minha dor transporta
À noite dorme na soleira da tua porta
Como uma douda insiste na minha doudeira
As cortinas descem, no silêncio costumeiro
A tua voz balbucia palavras dissolúveis
Sozinha no palco como um romeiro,
Vislumbro caminhos voláteis.
Ofélia Cabaço
Pisar o palco para ti
Contar emoções que senti
Nos sonhos em que foste altruísta
Fala meu amor, tu existes,
No meu palco nunca te ouvi
Oiço cânticos nas noites tristes
É a cotovia que me desperta
E o vento que me faz bater o coração
Sussurra, como quem me enlouquece!
Num retumbante de ilusões e quimeras
Aperto os lábios trémulos, recordação,
Minha alma desinquieta, a cismar
Oro à deusa dos rios e do mar
Peço-lhe cascatas das suas águas
Num turbilhão de sons e música
Canções cristalinas e lembranças tuas,
E a tua ausência que me torna tísica,
Passa por mim e a minha dor transporta
À noite dorme na soleira da tua porta
Como uma douda insiste na minha doudeira
As cortinas descem, no silêncio costumeiro
A tua voz balbucia palavras dissolúveis
Sozinha no palco como um romeiro,
Vislumbro caminhos voláteis.
Ofélia Cabaço
2013-11-02
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Ironia
Três pedrinhas muito juntas,
Na beira dum penhasco viviam
Havia um caminho vão, vinham e iam
As três uma união, forças muitas,
Arrastada por intempéries
Juntou-se outra pedra, negra e barbárie
Fortes vendavais,
Tumultos que levais
Conflitos e tormentas,
Gerou a pedra com suas ventas,
Alterou bonança para discórdia
Junto ao penhasco a alegria não medrara
Os pássaros roucos pararam a melodia
Rebolou-se atrevida nas pedras, a pedra
Com um olhar sem cor, fitava
Observava e desafiava, na beira do penhasco!
Silêncio, pedras mil, naquele ermo sem fim
Um rebanho, no silêncio, fazia tlim-tlim
Apanhou a pedra o pastor atirou-a para longe
Não fora sequer carrasco, antes, distraído
A pedra à beira do mar, ânimo traído
O mar imenso com branco babete
Vomitou espuma com ginete
Levou a pedra para o fundo, muito fundo,
Daquele mar com ondas p´ra contar!
Ofélia Cabaço
2013-10-28
Na beira dum penhasco viviam
Havia um caminho vão, vinham e iam
As três uma união, forças muitas,
Arrastada por intempéries
Juntou-se outra pedra, negra e barbárie
Fortes vendavais,
Tumultos que levais
Conflitos e tormentas,
Gerou a pedra com suas ventas,
Alterou bonança para discórdia
Junto ao penhasco a alegria não medrara
Os pássaros roucos pararam a melodia
Rebolou-se atrevida nas pedras, a pedra
Com um olhar sem cor, fitava
Observava e desafiava, na beira do penhasco!
Silêncio, pedras mil, naquele ermo sem fim
Um rebanho, no silêncio, fazia tlim-tlim
Apanhou a pedra o pastor atirou-a para longe
Não fora sequer carrasco, antes, distraído
A pedra à beira do mar, ânimo traído
O mar imenso com branco babete
Vomitou espuma com ginete
Levou a pedra para o fundo, muito fundo,
Daquele mar com ondas p´ra contar!
2013-10-28
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Imensa é a Planície
Planície perdida,
quem sóis?
Em ti moram girassóis
Chorosos, olhos negros e coração
Cabeleira doirada, um condão
Suas pétalas sedentas, o calor!
Ao sereno, caem preguiçosamente,
Uma a uma, discretamente,
Quietude, sossego da alma
Como água serena das fontes
Ouvem-se de muito longe, as vozes
Todas as noites, e de dia, às vezes,
Uma quietude embaraçosa, fugidia,
Trémula, esquecida da luz do dia
A planície, vestida de viúva
Ébria de húmidos aromas
Agoniza, sensual como as damas
Chamas que se somem na ardura
Dum sonho incerto que perdura
Quem és planície?
Sou enfim, o abraço d´agonia,
Responde o poeta ressuscitado!
Ofélia Cabaço
2013-10-25
Em ti moram girassóis
Chorosos, olhos negros e coração
Cabeleira doirada, um condão
Suas pétalas sedentas, o calor!
Ao sereno, caem preguiçosamente,
Uma a uma, discretamente,
Quietude, sossego da alma
Como água serena das fontes
Ouvem-se de muito longe, as vozes
Todas as noites, e de dia, às vezes,
Uma quietude embaraçosa, fugidia,
Trémula, esquecida da luz do dia
A planície, vestida de viúva
Ébria de húmidos aromas
Agoniza, sensual como as damas
Chamas que se somem na ardura
Dum sonho incerto que perdura
Quem és planície?
Sou enfim, o abraço d´agonia,
Responde o poeta ressuscitado!
2013-10-25
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