quarta-feira, 18 de maio de 2016

FLOR

Flor que é, eu cuido,
Semente que o vento não leva
Floresce, e por minhas mãos não descuido
Sua sede, dissipo ruim erva
Em redor de si, na terra imposta,
Se alarguem verdes campos...
Pasce no vergel a pedra oposta;

Flores e suas folhas vivem primavera
Esquecendo a flor o inverno, e os invernos
que habitam nele...

A flor não colho, flor coeva...
No estreito que é a vida, usemos a existência,
Negando subtilmente a impotência (…)

Quando o teu sono perdurar, teus lábios ternos
Se tornarem baços, e o teu corpo matéria impura,
Flores no outeiro eu colho para ti,
E lá no alto da ultima esperança, minh´alma jura
Amor eterno (...)

Ofélia Cabaço
2016-05-18





quinta-feira, 5 de maio de 2016

A Camélia Branca

Chove...
Frente à janela observo a japoneira
Deslumbre d´uma só camélia, alba,
Brota gotas da chuva que cai mansamente
A bruma desceu da serra ao casario...
E o jardim, imagem volátil de um momento
Ao outro, uma imensidão de contrastes (...)

Oiço baixinho na penumbra da manhã,
Uma queixa - “nunca estive só” -
A camélia branca...
Protesto inocente à beira do instantâneo!

Ofélia Cabaço

2016-05-05



quarta-feira, 4 de maio de 2016

Sonhos de Ontem

Figura esbelta e porte majestoso
Da mesa do café contemplei,
Eras tu...
Mãos grandes, afetos, sorriso garboso
E, as palavras que trocamos, indizíveis
Florearam minha vida de impossíveis
Carruagens num vai-vem...
Sonhos...
Que inda hoje me comovem
Dialética que nem ao Ar contamos
Por tão abstrato ser o que não foi!
Ah! se pudesses ouvir-me,
E eu a ti...
Talvez fosse longa a viagem!

Ofélia Cabaço

2016-05-04