quarta-feira, 12 de junho de 2013

Buzio

O teu olhar caiu no meu colo
Com sabor a consolo
Nossas almas outrora afinadas
Em silêncio ouviram os toques,
Choviam beijos
Num harpejo de desejos
Doidos, na vaga da fantasia
Vivemos quimeras em demasia
Incendiamos a loucura e os delírios
Eu e tu, apenas num olhar,
A água transparente corre nos rios
O nosso amor embalado na torrente
Desapareceu no tufão do mar!
Num búzio escondido oiço a tua voz
E o mar, a atormentar tua mente….
Sussurro o meu amor por ti!
No búzio, um abraço senti.

 

Ofélia Cabaço 2013-06-

terça-feira, 11 de junho de 2013

Madrugada

Todos os dia o mar
Tingido de tons e cores
Poentes de oiro
Poentes de cinza
Nuvens pintoras, vestidas de branco
Pinceladas rosáceas metamorfoseando
Azuis, roxos e os doirados (…)
Cinzentos tendenciosos,
No céu os tons são sonhos
Que enrolam meus sonhos na cisma
Agonias! Não quero morrer!
Manhã pontual, exangue,
Um arco-íris a jorrar sangue
Verdes desvanecidos escorrem
Lágrimas em constante fluxo,
Minha alma, nua de alegria
Naquele silêncio matinal
Madrugada molhada
Envolvência mística, sumarenta
Despedida do Inverno
Sinfonia de dorida música
Folhas caídas no beco viciado
O Sol tímido a espreitar!
A luz ténue do candeeiro cansado
O livro da sabedoria amarrotado
Um cigarro apagado,
Ao longe o mar balbucia saudade
O mar da minha ilha, da minha cidade!
O mesmo mar azul dos pintores,
Que vive dentro de mim!
 
Ofélia Cabaço 2013-06-11

 

Dez de Junho

Dez de Junho, Feriado Nacional dum poeta que foi dos maiores na cultura portuguesa. Ainda assim e porque nunca foi homenageado em vida e a prova disso é que morreu paupérrimo, os discursos hipócritas foram alvo na festividade de um dia tão especial. Não generalizo, mas falo de um que veementemente foi o mais fingido.
Como é que alguém pode falar de Agricultura e na ajuda para tal área, se o próprio, a troco de dinheiro mandou que os portugueses abandonassem as vinhas, as pescas, os lacticínios, o gado, as fábricas e afins.
Será que nós temos mente curta? Será que sofremos de amnésia?
Recordo que nos Açores tiveram que enterrar carne de vaca, porque não poderíamos exportar! A produção do tomate naquela altura foi desperdiçada única e simplesmente para obedecermos a ordens europeias. Os lacticínios a mesma coisa. A agricultura foi abandonada obrigatoriamente, e a prova disso foi a de que os espanhóis e não só, compraram quintas, onde o progresso daquelas pessoas empreendedoras é avultado.
O Marquês em tempos memoráveis empenhou-se exaustivamente na plantação de vinhas, especialmente as do Douro, para que não fossem parar às mãos dos ingleses e pudéssemos obter boas castas. E hoje, qual a preservação do que é nosso?
Agora fala-se mansamente na agricultura? Então porque vender o que é nosso atualmente?
Salazar, que não foi bom para ninguém, preservou as nossas conquistas, se bem que aprisionadas, para não terem a evolução que o nosso país precisava e ambicionava. Daí o acontecimento tão desejado, o 25 de Abril, alguém viu por aí passar o 25 de Abril?
Não, está preso e morre lentamente!
Como se pode dizer que as crianças não devem ser alvo para fins determinados, quando a maioria das mesmas passa fome!
Ah! Já percebi, não são dessas crianças que se fala!
Não é boa altura para mudanças governamentais e então? qual a posição da mesma pessoa, em relação ao governo Sócrates? Também não percebo!
Enfim ……………………

 


Ofélia Cabaço  2013-06-11

 


 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Consciência

Que me libertas de pesares
E me empurras p´ra claridade
Oh consciência! fala-me sem teus ares
Eu e tu somos cumplicidade

Adormeço com tua companhia
Sempre atenta e com alegria,
Ontem não deixaste que falasse com Jesus
Conversaste e a mim fizeste jus

Minha confidente, conselheira pertinaz
Jugo das minhas decisões
À vezes ácida como ananás
Oh consciência, não derrubes minhas ilusões!

Elas são ímpeto de ânsia e justiça
Faz brilhar a minha transparência
Sem o menor receio de falência,
Ajuda minha mente, nunca ser postiça!

Ofélia Cabaço 2013-06-10
Eu já cantei, e agora vou chorando
O tempo que cantei tão confiado:
Parece que no canto já passado
Se estavam minhas lágrimas criando

Cantei; mas se me alguém pergunta quando?
Não sei; que também fui nisso enganado.
É tão triste este meu presente estado,
Que o passado por ledo estou  julgando.

Fizeram-me cantar manhosamente
Contentamentos não, mas confianças:
Cantava, mas já era ao som e ferros.
De quem me queixarei, se tudo mente?

Porém que culpas ponho às esperanças,
Onde a fortuna injusta é mais que os erros?

 

Luís de Camões

 

(Morreu a 10 de Junho de 1580
 “ morreu pobre")

domingo, 9 de junho de 2013

Gatsby

Fui ao cinema. Vi Gatsby. É um belo filme. Depois daquelas cenas de muita atribulação com festas e mais festa, com loucuras exasperantes; desconfianças misteriosas através daqueles telefonemas constantes, percebemos como grande foi o amor de Gatsby por Daysi. A maior lição foi a de que por mais que partilhemos com os "supostos" amigos, aqueles que participam nas alegrias e nos eventos que proporcionamos, na hora derradeira, nem sequer aparecem as suas sombras. Gatsby não era elitista, nem seria, porque o que ambicionava mesmo, era rever Daysi, mas, dando oportunidade de divertimento a todas as pessoas, até de estato social bem diferentes, ele Gatsby, só teve a seu lado o único amigo que teve verdadeiramente, e, convém salientar, que era uma amizade bem recente, uma daquelas amizades verdadeiras que estimam, respeitam e admiram, sem fingimentos. As longas amizades foram pérfidas e oportunistas. Este filme surgiu de um romance de F. Acott Fitsgerald em 1929, portanto é intemporal.
Toda a vida será assim. Quando damos a todos os níveis, as pessoas recebem, mas na hora e/ou quando estamos em baixo as amizades esfumem-se para o inferno, talvez!
Eu penso e sinto, que as amizades são regadas com pequenos gestos, não se pode ignorar a felicidade ou a tristeza de uma amigo, só porque não nos apetece e temos mais que fazer!!! Isso não é amizade! Inteligente é o Ser que faz de conta que não percebe estas atitudes, mas dá para compreender quem é quem! Estes, conseguem viver com certa serenidade, excluindo pessoas desta natureza das suas vidas.
É uma desolação! Mas enfim, cada um tem a educação que recebeu, disso ninguém pode fugir, da falta da educação que recebeu! Até conseguem, se forem grandes e diferentes, mas para se ser grande ou diferente, É-se mesmo, sem tendência para atitudes desprezíveis.
O mundo está a desmoronar-se, cada dia que passa é um desconsolo total.
Com tudo isto aconselho-vos a verem o filme, é magnífico!
Ofélia Cabaço 2013-06-09

sexta-feira, 7 de junho de 2013

TELEJORNAL 06-06-2013

Ontem no telejornal, tive ocasião de sustentar com mais enfase o sentimento que nutro na desmitificação por pessoas que, por qualquer razão, foram ou conseguiram ocupar um determinado cargo ou relevo apenas e tão só p´la cadeira que ocuparam e, porque o povo, muitas vezes está em forma de sesta, e assim sendo, deixa-se levar por uma brecha descuidada.
Porquanto, analisando os feitos que aquelas pessoas conseguiram foram só e apenas fachada. Sim porque convenhamos há pessoas que nos cargos fazem muitas coisas boas e outras muito desagradáveis, mas, vá lá, fazem coisas!
Depois existem pessoas em forma de figuras que são objeto de uma total descredibilização, que até o povo, aqueles que as mesmas pessoas acham de menos valor e de ainda menos direitos para seja o que for, percebem e não esquecem nunca aquelas atitudes.
Endeusar seja quem for não é a minha tendência; Admirar e orgulhar-me de certos talentos, é para mim felicidade, mas perceber que antes de tudo isto, a pessoa é pessoa é para mim o auge da essência humana. Somos todos pessoas e todos temos os mesmos direitos.
Há quem diga que as pessoas devem ser tratadas conforme as suas possibilidades, por exemplo, um hospital não é um supermercado, portanto, as pessoas devem ser tratadas conforme o dinheiro que têm; Isto em pleno século XXI!
Ainda existem personalidades, que apontam o dedo a quem recorre à greve para melhorar os seus direitos ( eu não sou professora)! E, fazendo o povo de ignorantes, dizem que as crianças não devem ser utilizadas para determinados fins! Perplexa, eu fiquei! Tanta conversa populista para ensombrar a origem resultante na fome de tantas e tantas famílias nos nossos dias, das crianças que vão para a escola com FOME! da falta de motivação dos agricultores aconselhados a deixarem de trabalhar as suas terras, na eliminação dos cursos profissionais que enriqueciam o trabalho dos operários nas fábricas e por sua vez engrandeciam o país na importação e exportação; na hipocrisia da consolação com esmolas dadas aos desprotegidos para serem rostos agradecidos nos órgãos de comunicação! Enfim, o que nunca esperamos foi haver a réplica de que: Está tudo bem assim e não podia ser de outra forma!e, porque só assim pagaremos as nossas dívidas!

Apreciei o título do livro “ a Última Criada de Salazar”. Cumprimento o autor, mas não concordo com a direção da exposição da personagem.
Ainda menos aprecio, a forma ou o frete, como um tal personagem (figura pública), como os media apregoam, fez e FOI EVIDENTE no cumprimento à Senhora.
O que é que esta gente se acha? Tudo isto é resultante da falta de sabedoria! É falta de educação! É falta de civismo! É ser-se snobe e vazio! É ser-se mentiroso descaradamente!
A liberdade que obtivemos à custa de gente com alma e ideais, de gente grande, que morreram no caminho da sua luta, e de ainda outros, que sofreram na pele as mais diversas atrocidades, foram benefício para muitos morgados ocuparem lugares, onde a continuidade da soberania de um país e das suas gentes deveria ser DIGNIDADE, a consumação para uma população feliz. Mas não! É notório e público as ações e os dizeres patéticos que nos tornam nos palhaços pobres de um mundo que não é o de OZ!
Depois, todos sabem tudo, e todos, nada fazem, a fim de não existir desarmonia nos objetivos de cada um.
Não é difícil salvar-se uma criança que se VÊ cair na piscina, e, o sentimento de heroicidade é sustentado e vangloriado sistematicamente, quando todos aqueles e todos nós poderíamos salvar e/ou ajudar milhares de crianças que morrem de sede, fome, doenças e misérias todos os dias das nossas vidas. Disto não se fala, é mais pálido utilizar-se as crianças para entravar um desejo descontente, que até, a ser falaciado de forma assertiva quase toca os corações de quem desejamos domar para mais tarde torturar!

Ofélia Cabaço 2013-06-06