quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Neste Dia Cinzento,

Aquela Voz que em mim permanece
No silêncio dos dias, expectável,
Teima com a pena o que prevalece,
O Ser que contempla o inexplicável;

Ao que o Universo oferece...,
Nestes dias em que o cinzento no firmamento
Se estende, e as nuvens chorosas,
Pairam na sustentação do infinito;

Choram as árvores, calam-se as aves
Num contínuo descontentamento...,
Anseio o amarelo odorífico das mimosas
Os reflexos do Sol, as suas carícias...;

Anseio cheiros a pinho e rosmaninho, delícias
Que ao espírito contenta...,
Que enrubescem a vida de ardor e amor;

Lá fora, um silêncio com negra vestimenta...,
A bruma envolve-se na serra,
Subtil carícia sobre a terra;
Ofélia Cabaço
2018-01-04











quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Momentos...,

Naqueles momentos,
Em que é ausente a claridade
E que nem a luz da vela ilumina,
O Sol, estrela maior, se esconde...,

Os corações fecham-se emudecidos,
Exaltação amortecida em avançada idade,
Esvai-se a fecundidade,
Morre a semente, e não aflora a bonina...;

Escada íngreme, subimos até onde?
Perguntamo-nos, olhares padecidos...,
De boca calada no caminho do caminhante,
Resposta muda aos sonhos perseguidos;

Há outros, em que pensamos jardins e pomares,
Laranjais..., das laranjas o sumo saboreamos,
O Sol insinua-se de mansinho,
As montanhas verdejam, frescos são os ares;

Os pássaros chilreiam do invólucro dos ninhos
E a nossa caminhada é brisa e ondas dos mares
Para onde vamos?

Sonhos que passam embalados
No som mavioso de pássaros cansados
Pressintamos..., em ilusão consinta...,

Ofélia Cabaço
2018-01-03




segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Quietude...

Minh´alma arde no silêncio
Deste repoiso a que me obrigo,
Pergunto-me quem sou...,
O que seria se fosse uma flor, balbucio

Vezes sem conta no meio do silêncio,
O teu nome, sem ti não há abrigo!
Não desgosto (…), nesta minha quietude,
De viver e pensar comigo...;

Porém, sinto o vazio das “coisas”,
E não encontro o desejável...
Procuro o desconhecido, árvore respeitável,
Com vestes de esperança e causas...;

Casas por onde andei, vazias de cor e ardor,
Como procissão sem andor...
Saltei o muro do jardim sem nenhuma flor,
Se flor eu fosse, queria ser camélia (…)

Esquecer que um dia fui Ofélia...,
À espera do nada no horizonte da melancolia;



Ofélia Cabaço
2018-01-01




terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Peregrino do Amor,

Uma só flor,
desbotada, sem ardor...
Uma página vazia de tudo
Sobre a mesa, na branca toalha
O culto solene d´um Nascimento
Há muitos anos...,vida e tormento,
Posto na cruz enxangue e mortalha
Jesus, peregrino do Amor (...)

Choram os botões e as rosas
Jardim criado..., invisivel Jardineiro,
Esmorecem as flores, em janeiro
Gelam as águas maravilhosas...;

Caminhos por onde andou
Iluminou,
E gente curou...

Desce meu Jesus,
Fita-nos nos olhos..., faz juz
À Justiça...

Ofélia Cabaço
25-12-2017



quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Ilha de Açucenas...

Quando no céu escuro
brilha uma só estrela, perdura
frente ao teu sentir uma esperança
divina, sem forma e espessura,
apaziguadora, leve como a brisa,

que nos acaricia em dias intemporais
aonde as aves instigam seu esplendor
no canto e na suavidade da Natureza,
uma afetuosa mão  te toca, um gesto

indelével ao teu coração honesto,
quando uma macieira a maçã encobre
como proteção ardente de mãe e filha
restam as folhas verdejantes, visíveis

em identidade, forma e beleza...,
ser-se existente, ter saudade de um lugar
silencioso que ilusoriamente nos espera a sorrir,
é esperança que a vontade escuta, encantos

sobrepostos aos flamejantes prantos,
às pragas e aos quebrantos,
mãos erguidas e a Deus consagrar,

quando a tarde cai,
envolvida de música é um som
sem som comparável ao Silêncio.

Ofélia Cabaço
Janeiro -08 20232















terça-feira, 21 de novembro de 2017

Um Ano Depois Da Tua Morte,

Sem ti, um ano...,
Em cada dia teu sorriso exânime
Saudade..., caminho morno,
Ao Sol peço que me anime
Ainda gostas de margaridas amarelas?
Na tua sepultura uma jarra com elas
Coloquei para ti meu amor...
Sentei-me no mármore frio, mudo, e chorei...
Sempre soube que gostavas de conversar:
Ainda gostas de mim? - perguntei,
No silêncio manso do cemitério,
Uma folhinha balançou – mistério,
Com odor rescendente...,
O meu peito ardente!

Despedi-me...
e disse-te, muito baixinho: Meu Amor,
Voa, voa como as andorinhas na primavera...

Ofélia Cabaço
2017-11-18





O Rio e a Glicínia

No fundo do quintal uma glicínia
Trepava em direção ao rio, Virgínia,
Encantada, contemplava o rio e a glicínia...
Ciciavam fervorosamente ao nascer do dia,
O rio e a glicínia...,

Enchiam o ar de vida e cheiros,
Na tela, Virgínia, pincelava cor magenta
Na ilusão inquieta de transformar o Tempo
Da Vontade, a Esperança tudo aguenta (...)

Tempo de todos, aquele, que um dia se esvai;

Tronco e ramos vestidos de roxo, curvados,
Abriam seus belos braços, estenderam mortificados,
Sobre o rio da água enamorada, as mais belas glicínias;

E porque morrem as flores e a água corre,
O silêncio e o tempo abafam vidas e cheiros...
Neste manto terreno é a Esperança que nos acorre.

Ofélia cabaço
2017-11-20