quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
FELIZ NATAL
Apesar dos avessos que foram inevitáveis
E com ensejo de afastar lembranças detestáveis
Desejo-vos uma noite serena, abençoada
Com os calores da família e boa consoada
Termina um danado ano
Com afeções, tormentos e dano…
Que os vossos corações consigam amar
Rejeitando os amuos e tréguas proclamar
São os votos sinceros desta vossa amiga
Ofélia Cabaço
Sintra, 11 de Dezembro de 2014
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Horas Duvidosas
Sonhos inacabados
São instantes levados…
Porque sonhar ocupa lugar
Num lugar que não tem espaço,
Os sonhos com asas transparentes
Personificam desejos de vã fecundidade
Realidades perfidamente descrentes
Que fazem doer as almas dos mortais
Como quando o véu da noite desce
Denso e lento dos astros imortais
E lubricamente se alastra e cresce…
Os sonhos poisam de leve nos poetas
Inexoráveis, deixam apenas borbotões
Ficção que nos mente eternamente
E nos afasta tristemente das ilusões
Ofélia Cabaço
2014-12-08
domingo, 7 de dezembro de 2014
Depois de ver o telejornal aonde observei tanta vontade de ajuda aos mais necessitados, não senti nenhuma onde de assentimento aquando de tantos louvores às entidades que esforçadamente fazem beneficência. NINGUÉM , mais do que eu, deseja uma sociedade onde todas as pessoas possam viver sem fome e sem submissões deste ou daquele. E depois, ainda vão surgir na quadra festiva, outras entidades, que irão demonstrar os seus atos de beneficência, com presença ao vivo e a cores, do beneficiado a agradecer e a divulgar a sua triste vida a todo o mundo. Salazar gostava disso, e as senhoras da beneficência ainda mais, que davam massa e arroz aos pobrezinhos para poderem comer lagosta. Por tudo isto pergunto: se se junta tanta gente para ajudar aos pobrezinhos, porque não se juntarem para uma melhor SOCIEDADE aonde TODOS teremos os mesmos DIREITOS? Estou desolada por tanta BONDADE aparente e apenas por alguns dias. E podem crer que não há um só Natal que não me lembre, com mágoa no coração, a FOME MUNDIAL. Não devo satisfações a ninguém sobre o meu sentir, na medida em que não ofendo ninguém em especial, mas para os mais desacreditados, quero realçar que este meu SENTIR não tem que ver com politiquice alguma, mas sim, no mais amplo sentimento HUMANO.
Ofélia Cabaço
2014-12-07
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Estrela
Uma
Estrela há muito esperada
No firmamento
surgiu luminosa
A Terra
inteira a contemplou esperançada
Sob aquele
fulgor radioso,
Nascera
uma criança em Belém
Num
casebre frio e escuro…
Uma
grande calma e quietude
Envolveram
os homens para além;
Pois
Aquele que ali nascera, veio para ficar,
Para
ser Homem entre os homens
Em qualquer
canto da Terra, Homem!
E iluminados
foram os lugares escuros,
Jesus
nasceu para amar e magnificar
Humildemente…
sem berço de ouro (…)
Era tanta
a Luz que delineou o Mundo
Com visibilidade
de alabastro…
A
Estrela pairava no firmamento
Olhos
postos, refletiram a radiânçia do astro,
Riachos,
rios e mares entoaram vozes
Numa
combinação de flautas e tambores
Alegremente, o vento levava a Boa Nova…
Jesus
nascera e os homens renasceram,
Humildemente
me curvo, oh meu Jesus!
Ofélia
Cabaço
2014-12-03
Flor na Charneca
Era grande a poetisa, fugiu-lhe a fama
Viveu angústias, medos e ânsias
Chorou, conversou a charneca e sua Alma
Poetizou as noites, o desassossego dos dias
Foi por inteiro Alma, Florbela D´Alma
Amou sem saber quanto, viveu e sofreu
Apeles, afago de seus prantos
Apaziguou suas dores e tormentos
O amor!
Planícies de restolho, poejos, aves e cantos
Foram águas vivas na sua imensa sede,
O sussurro dos seus desejos, lamentos!
Espanca, seus caminhos e desalentos (..)
Hoje, gloriosa e importante,
Ontem, esquecida e distante
O Tejo!
Rio de Lisboa, sepultura de Apeles
O firmamento, amigo e confidente
Onde estará? Talvez sentado nas nuvens
Ciciava : - porque, meu irmão, não vens?
Amor irreverente, afetos, joia deles!
No ar,
Asas platinadas, destroçaram corações,
Levou-os a morte numa onda de emoções
Deu-se o reencontro, brancas borboletas,
Nos céus poesias, águas soltas!
Um choro!
A charneca órfã ……e a flor, morreu!
Ofélia Cabaço - 2013-08-25
A Avó
A minha alma não está feliz
Os meus
pensamentos não são flor lis
Fazem-me vaguear
incessantemente
Pelas ruas da minha infância dolente
Pelas ruas da minha infância dolente
Naquelas ruas
sinto-me desprotegida
Tenho receios,
medos e angústias
Não quero que me roubem as tias
Volto no caminhado sem qualquer ida
Não quero que me roubem as tias
Volto no caminhado sem qualquer ida
Quero muito
chegar a casa, abraçar a avó
Quero sentar-me
no seu colo, fechar os olhos
Adormecer por instantes no tempo e na idade
Imaginar mundos habitados por velhos……
Adormecer por instantes no tempo e na idade
Imaginar mundos habitados por velhos……
São momentos de
sonho e delícia
São uma
gigantesca sombra no deserto
Apaziguadores, deixam-me perceber o certo
Enternecidamente, rio do que não ria
Apaziguadores, deixam-me perceber o certo
Enternecidamente, rio do que não ria
É uma paz que me
encoraja
Nos momentos de
sossego e bem-haja
É um amor tão estreito e tão largo
Como a nascente a correr para o lago
É um amor tão estreito e tão largo
Como a nascente a correr para o lago
Aconchegada
naquele doce abraço
Sinto respirar a
pradaria de girassóis
A afugentar os medos por quem sois
Num empurrão tão forte como o aço
A afugentar os medos por quem sois
Num empurrão tão forte como o aço
Depois, a avó
oferece, papa de maisena
Como uma, mais
uma, e outra colher de papa
A avó é tão forte como o touro na arena,
Cuida de uma menina que não tem o seu papá
A avó é tão forte como o touro na arena,
Cuida de uma menina que não tem o seu papá
O Mundo sem
avós, não seria rico
Ficaria
incompleto como as aves sem bico
Como as violas sem cordas,
Os violinos sem som,
O imenso mar sem ondas
A primavera sem rebentos.
Como as violas sem cordas,
Os violinos sem som,
O imenso mar sem ondas
A primavera sem rebentos.
Ofélia Cabaço 2012-12-28
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