Nu, ali ao lado,
Só o sabugueiro ondulava
Príncipe encantado
No rio se banhava
Naquela torre ela esperava
Visita de quem amava
Fechada na torre agonizava
A saudade escrupulosa enganava
As noites claras de Agosto
Estampavam o reflexo do desgosto
Nem sombra de esperança ou ideia
Estimularam sua ceia
Seu peito estremecia na ardência
Dos desejos, vozes do divino
Entre preces e carícias de menino
Ao longe, os sinos badalavam
Tão perto, ele e ela estavam
O sabugueiro vestiu-se de branco
O rio tornou-se vale de lágrimas
O príncipe endoidado nas chamas
Nus ficaram os apaixonados!
Ofélia Cabaço 2013-06-05
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Mia
Eu amava os livros
Sua prosa e poesia, sentidos!
Na feira encontrei o escritor
Fitei seus olhos azuis, o mar!
Fascinei a alma com ardor
Gravei no coração suas palavras.
Na minha cabeceira, Mia,
Conversas nas imensas lavras
Na varanda Frangipani, goiabas,
Acácias rubras no alpendre
Silêncio! a leoa uiva, confessa!
Rio de sangue, sonhos de esmeralda
Kulumani com seios de mulher
Noites abafadas de cio, sensualidade!
África mágica, com cheiros a canela
De amor intenso………………….
O Lideia tomou Arcanjo e sua amada
Silência morreu, um pedaço de Hanifa!
E, o escritor narra, e poetiza, e cria!
África embevecida abençoa este Ser!
Ofélia Cabaço 2013 05-03
Sua prosa e poesia, sentidos!
Na feira encontrei o escritor
Fitei seus olhos azuis, o mar!
Fascinei a alma com ardor
Gravei no coração suas palavras.
Na minha cabeceira, Mia,
Conversas nas imensas lavras
Na varanda Frangipani, goiabas,
Acácias rubras no alpendre
Silêncio! a leoa uiva, confessa!
Rio de sangue, sonhos de esmeralda
Kulumani com seios de mulher
Noites abafadas de cio, sensualidade!
África mágica, com cheiros a canela
De amor intenso………………….
O Lideia tomou Arcanjo e sua amada
Silência morreu, um pedaço de Hanifa!
E, o escritor narra, e poetiza, e cria!
África embevecida abençoa este Ser!
Ofélia Cabaço 2013 05-03
terça-feira, 4 de junho de 2013
Momentos (..)
Momentos do passado foram
Desvanecidos na impiedosa angústia
Mal brilham na boca das lembranças
Tão lentos, assustados como velhas tias,
Moram longe,
Sorrateiramente surgem na manhã de luz
Pálidos, saboreando um consolo,
Tão breves como o tremor do solo
Nas sofridas ilhas, varandas rachadas
Miragens arquitetadas, embalsamadas
Memoráveis escritos com ponta de penas
Astros ocultos na sombra da ilusão
Momentos cor da terra, sinos e hinos
Mocidade, regato de água barulhenta
Baladas e emoções!
Momentos saudados no temor das bocas
Sótão de velharias, silêncios e buscas
Tão breves !
Flores esbatidas no esquecimento
Momentos! Mocidades idas!
Ofélia Cabaço 2013-05-23
Desvanecidos na impiedosa angústia
Mal brilham na boca das lembranças
Tão lentos, assustados como velhas tias,
Moram longe,
Sorrateiramente surgem na manhã de luz
Pálidos, saboreando um consolo,
Tão breves como o tremor do solo
Nas sofridas ilhas, varandas rachadas
Miragens arquitetadas, embalsamadas
Memoráveis escritos com ponta de penas
Astros ocultos na sombra da ilusão
Momentos cor da terra, sinos e hinos
Mocidade, regato de água barulhenta
Baladas e emoções!
Momentos saudados no temor das bocas
Sótão de velharias, silêncios e buscas
Tão breves !
Flores esbatidas no esquecimento
Momentos! Mocidades idas!
Ofélia Cabaço 2013-05-23
Artistas
Os artistas não se entendem, confundem a realidade das coisas com as coisas da realidade, amam o silêncio das vozes e querem o barulho da alma. Choram sem querer, o bem querer anseiam. Conversam com o Sol e poetizam com a Lua. Pintam paisagens cinzentas com cores da esperança. Reivindicam a angústia quando ela foge, amam um só corpo natural, veemente de prazeres e do nada! São felizes na sua tristeza, na felicidade, estranhos!
Sabem dos sons para além do firmamento e voam e voam e voam como pássaros feridos.
No universo escrevem, pintam, moldam, representam o que não são, mas são em toda a parte.
Os artistas vivem bebendo cálices de inspirações sublimes, respiram o que não existe, adormecem de cansaço para além do infinito! Artistas, sombras de sons e dons, possuidores de fantasias na realidade imutável.
Ofélia Cabaço 2013-05-31
Tão Apenas (…)
Fui na asa branca da gaivota
Encontrei corais num mar transparente
Há mil anos vivi amor contente
Arrebatou-me o querer imenso
Rodeia-me a tua alma, devota
Reflexo de oceanos e poentes
Sou parto dum passado denso
Água sou (…) sofreguidão e sede
Não tenhas medo, apenas te amo!
A tua sede, eu sei ! Água pura,
Semente de nascentes com secura
Não tenhas medo apenas te amo!
Olhas-me com teu olhar torvado
Abraças-me no ínfimo tornado
Tens medo de ti, de mim, da morte
Vem na outra asa branca da gaivota
Aperta a minha mão, oferece-me Sorte!
Não tenhas medo, apenas te amo!
Ofélia Cabaço 2013-05-30
Encontrei corais num mar transparente
Há mil anos vivi amor contente
Arrebatou-me o querer imenso
Rodeia-me a tua alma, devota
Reflexo de oceanos e poentes
Sou parto dum passado denso
Água sou (…) sofreguidão e sede
Não tenhas medo, apenas te amo!
A tua sede, eu sei ! Água pura,
Semente de nascentes com secura
Não tenhas medo apenas te amo!
Olhas-me com teu olhar torvado
Abraças-me no ínfimo tornado
Tens medo de ti, de mim, da morte
Vem na outra asa branca da gaivota
Aperta a minha mão, oferece-me Sorte!
Não tenhas medo, apenas te amo!
Ofélia Cabaço 2013-05-30
Chuva Breve
Pingo de chuva luminoso
Tocou minha face esta manhã
Senti meu amor majestoso
Sua mão, acenou-me sem manha
A alegria libertou meus desejos
Então, doentios e sem ensejos
Um emaranhado de borboletas
Adormecidas no palco do desencontro
Voaram de folha em folha ao encontro
Duma esperança tímida, quase obsoleta
A minha alma tomou frescura d´amor
Arejada, aconchegada de sonhos e cor
Adormeceu no enlevo da letargia dos poetas.
Ofélia Cabaço 2013-06-04
Tocou minha face esta manhã
Senti meu amor majestoso
Sua mão, acenou-me sem manha
A alegria libertou meus desejos
Então, doentios e sem ensejos
Um emaranhado de borboletas
Adormecidas no palco do desencontro
Voaram de folha em folha ao encontro
Duma esperança tímida, quase obsoleta
A minha alma tomou frescura d´amor
Arejada, aconchegada de sonhos e cor
Adormeceu no enlevo da letargia dos poetas.
Ofélia Cabaço 2013-06-04
domingo, 2 de junho de 2013
Tédio
Sentir que as pessoas menos boas
São boa casta,
Confundir delicados valores!
Altruísmos de papel desbotado
Bocejar, saborear o Nada!
Deixar que areias intrusas
Embaciem a vivacidade dum olhar,
É sentir tolice, inutilidade
Zumbidos malinos, ensurdecedores
Apatia para contento de muitos,
Desgosto para quem é!
Tédio é ficar triste, garganta seca
Amargos de boca, desprezo na alma
É desconhecimento de ser quem é
E querer morrer (…)
Não ter ideias, pasmar, olhar o vácuo
Tentar descobrir o que não existe
É mármore e ser chacota!
Ofélia Cabaço 2013-06-01
São boa casta,
Confundir delicados valores!
Altruísmos de papel desbotado
Bocejar, saborear o Nada!
Deixar que areias intrusas
Embaciem a vivacidade dum olhar,
É sentir tolice, inutilidade
Zumbidos malinos, ensurdecedores
Apatia para contento de muitos,
Desgosto para quem é!
Tédio é ficar triste, garganta seca
Amargos de boca, desprezo na alma
É desconhecimento de ser quem é
E querer morrer (…)
Não ter ideias, pasmar, olhar o vácuo
Tentar descobrir o que não existe
É mármore e ser chacota!
Ofélia Cabaço 2013-06-01
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