segunda-feira, 11 de junho de 2012

Gabriel Garcia Marquéz


GABRIEL GARCIA MARQUÉZ

Gabriel, mais conhecido por Gabito era um menino muito curioso e simultaneamente  assustado com as histórias dos mortos que sua avó contava. A avó era quem governava a casa, a casa onde ele foi criado com ela, seu avô e suas tias. Naquela casa havia um pátio onde nas noites quentes de Aracataca o aroma de jasmim predominava todos os outros cheiros. Os quartos eram enormes com janelas e portadas, onde  os mortos segundo Dona Tranquilina, a sua avó, passeavam e suspiravam todas as noites.
Para ela não havia uma divisão entre os mortos e os vivos, era como se vivessem numa comunidade separados apenas por uma cortina que não se podia desviar. Dona Tranquilina tinha nascido numa península  de La Goajira, de areais ardentes pelo sol imenso, de índios, contrabandistas e bruxos, daí toda a sua tendência para contar histórias acerca dos espíritos, invulgares e extraordinárias como se fossem as mais naturais no dia a dia dos vivos. Gabito todas as noites tinha muita dificuldade em adormecer, pois a sua imaginação povoada de histórias fantasmagóricas, durante a noite atormentavam-o.
Aquele menino que apreciava os aromas a nardos e jasmins e amava ouvir os barulhos incessantes dos grilos, como é tão natural nas noites dos trópicos, ficava sentado numa cadeira a ouvir a avó falar da tia Petra, do tio Lázaro ou da tia Margarita Marquéz, que morrera muito menina, e era muito linda, e que no decorrer das gerações tinha ficado na memória de todos.
O certo é que ainda há poucos anos, segundo Garcia Marquéz, quando fica num hotel e está sozinho, todas essas histórias e receios o atormentam, pensando que os mortos estão passeando no escuro do seu quarto.
Luísa, a sua mãe, era uma mulher muito bonita que se apaixonara pelo telegrafista que  trabalhava em  Aracataca, e contra a vontade do Coronel seu pai, ela casara e depois do nascimento do Gabito foi viver para Riohacha, uma cidade nas margens do Caribe que em tempos tinha sido muito explorada por piratas. Lá teve mais quinze filhos. Gabito ficara com os avós até aos oito anos, altura em que o seu herói, o avô, morrera.
Assim terminava a sua primeira infância.
Lendo a história de Gabriel Garcia Marquéz, eu partilho com ele algumas das suas mágoas e muitos dos seus medos, tal como ele, fui criada pela minha avó e tias, e também, conversavam comigo, como se eu fosse mais uma mulher adulta naquela casa. Percebo o que é pensar e acordar, sonhando que estamos a viver aquela passagem de vida, com a mesma casa, e aquelas personagens que povoam na nossa mente, umas vezes felizes, outras amarguradas.
Garcia Marquéz só voltaria a Aracataca muitos anos depois, em que as casas e os sítios, onde antes aconteciam a azáfama da apanha das bananas ainda verdes transportadas por carroças de bois para a estação férrea, a fim de viajarem para os Estados Unidos, estavam reduzidas a pó e ao mais completo silêncio de abandono e desolação.
Garcia Marquéz começou a escrever mais para demonstrar a um amigo que a sua geração era capaz de produzir escritores, e o certo é que produziu um leque extraordinário de escritores como Mário Vargas Llosa, Pablo Neruda, Jorge Amado, Milan Kundera e muitos mais.
Há poucos anos, dizia Garcia Marquéz,  que escrever era um prazer e simultaneamente um sofrimento, pois recorda que, quando era um simples jornalista era capaz de numa só noite escrever  cinco ou até dez páginas de um livro. Lembra na sua entrevista a Plinio Mendonza, que duma só vez, e numa assentada, escreveu um conto. E, naquela altura,  já ficava muito feliz se escrevesse um bom parágrafo num só dia. Achava que cada vez, mais escrever era um sofrimento, e, é porque o sentido da responsabilidade vai aumentado, e provavelmente não quer desiludir os seus leitores.
Cem Anos de Solidão foi escrito por Gabo, nome que os amigos lhe atribuem desde a sua adolescência e por influência das histórias contadas pela sua avó durante a sua infância, pois eram contadas, por mais cruéis que fossem, sem que ela se perturbasse minimamente. Daí, a sensação que ele mais tarde descreve, de que lembrando a avó e suas histórias conseguiu que a narração de Cem Anos de Solidão mostrasse uma verosimilhança daquelas histórias e imagens. Cem Anos de Solidão é um livro de magia, de vivências invulgares. A atitude de José Arcadio Buendía, marido de Úrsula, era a de um homem decidido e empreendedor. Foi ele que reorganizou a aldeia chamada Macondo, onde viviam cerca de trezentos habitantes. O traçado das casas foi realizado por Buendia e nenhuma casa  recebia  mais sol do que a outra, aquando o calor incidia com força sobre a aldeia. Em relação ao abastecimento de água, todas as casas estavam em posição para que o esforço fosse igual na obtenção da mesma. Macondo era uma aldeia exemplo de trabalho, organização e igualdade. Desta forma todos os habitantes tinham cerca de trinta anos e nenhum havia falecido. Ele era um homem muito especial, encheu as casas, em especial a sua, com gaiolas habitadas pelas mais diversas raças de pássaros. Toda a aldeia ouvia o cantar dos pássaros. Úrsula, chegava até a tapar os ouvidos com cera de abelhas, para não perder a razão da realidade. Ela era uma mulher miudinha mas de garra, nunca cantava e trabalhava de sol a sol. Admirei na personagem, o facto dela ser uma mulher que mantinha a casa arejada, limpa e devidamente arrumada, construindo desta feita um ambiente de conforto e prazer a toda a sua família. Eles tinham construído a sua mobília, rústica, é certo, mas dada a personalidade de Úrsula, tudo estava impecavelmente limpo e arrumado atá as velhas arcas onde guardavam a roupa lavada cheiravam a manjericão. Muitas vezes, durante a minha vida pensei nesta mulher, e achei que ser como ela seria um privilégio. Ela aturava as manias que o marido tomava no seu laboratório no quintal, fechado muitas vezes durantes semanas e meses, com uma invulgar naturalidade. Era um homem vocacionado para as ciências e fundamentalmente um democrata, eu acho!  José Arcadio Buendía, levou um dia o filho Aureliano Buendía a conhecer o gelo, numa tarde longínqua. Macondo era naquela altura, uma aldeia com apenas vinte casas de barro, construídas na margem de um rio rodeado de pedras brancas idênticas ao formato dos ovos. Melquíades foi um cigano que trouxe um objeto desconhecido para os habitantes da aldeia, o íman. Todos ficaram maravilhados em como os tachos, as tenazes, os fogareiros e afins se deslocavam de um lugar para o outro. Os objetos perdidos apareceram magicamente através do íman.  Todos os anos havia ciganos que se instalavam nas proximidades de Macondo para mostrarem as novas invenções. E foi assim que José Arcadio Buendía comprou ao cigano dois ligotes imanados a troco do seu rebanho de cabritos e o seu jumento. Pensou, na hora, que aquele objeto o iria  ajudar a encontrar ouro na terra. Obviamente que forçou todas as suas ideias e imaginação, quase tão extensa como o universo, com demonstrações para a obtenção do oiro. Claro, que foram esforços em vão, não encontrou nenhum oiro. E, sempre que vinham os ciganos ele engendrava tecnologias com as novas ciências trazidas pelos forasteiros.
Eu entendo que a imaginação sem limites é a de  Garcia  Marquéz, e isso   revi em muitos dos seus livros. É dono de uma fabulosa imaginação, mas muitas das histórias têm que ver com o seu passado em Aracataca.
Um dia, seu avô, o Coronel Nicolás Ricardo Márquez Mejía, levou-o a ir ver gelo em Aracataca, quando os ciganos visitavam a aldeia com trapezistas e dromedários. Então uma vez, fez abrir para ele uma caixa de pargos congelados para lhe explicar o mistério do gelo. O avô tinha sido um liberal que se formara com honra através dos ideais de Garibaldi e da radicalização francesa.  O Coronal tinha ido para  a guerra às ordens do general Rafel Uribe Uribe. No livro, Cem Anos de Solidão, a personagem  do Coronel Aureliano Buendía, fora imitada pelas características do  general Uribe.
Gabriel sempre recordaria as manhãs em que seu avô o levava a tomar banho nas belas cascatas de  águas cristalinas existentes em Aracataca que desciam velozmente pela serra. No silêncio das plantações, o coronel Nicolás , falava-lhe da guerra civil, dos canhões puxados por mulas, dos combates, dos feridos e até mesmo dos mortos. Todas estas conversas matinais ficaram para sempre na sua memória. De realçar que o velho concedia ao neto a maior importância.
Lembro-me, da minha avó dizer muitas vezes, que eu era tão esperta que quando nasci pus-me de pé na banheira. Quando mais crescida, eu ouvia isso, ficava envergonhada com esta ingénua afirmação, que não era mais do que o amor que ela me tinha. Os avós tradicionais têm os netos em altas nuvens. Não deixa de ser ternurento.
Kafka que também contava histórias quase da mesma maneira que sua avó, sem a mais leve perturbação, foi de certa forma, uma influência para Gabo, quando na adolescência leu  “ A Metamerfose”. Gregório Samsa podia acordar uma manhã transformado num gigantesco escaravelho, e disse para mim: “ Eu não sabia que isto era possível fazer. Mas se assim é, escrever interessa-me” Reportagem de Plinio Mendonza a Garcia Marquéz. Plinio Mendonza foi embaixador de Bagotá em Lisboa e é padrinho do filho mais velho de Garcia Marquéz. Sabemos que o escritor tem dois filhos e é casado até hoje com Dona Mercedes.
Numa das muitas superstições de Garcia Marquéz, a que acho mais piada, e até poética, é a de ter sempre na sua secretária um jarra com uma rosa de cor amarela. Bonito!
Não gostou dos deslumbramentos das carpetes vermelhas, da música de fundo, dos smokings, do cheiro a velas e a flores, quando foi a Estocolmo receber o prémio Nobel. Pensou estar no seu próprio funeral e para contrariar regras foi vestido de branco. A  determinada altura alguém disse: Porque é que o Gabo vem vestido de padeiro?
 Garcia Marquéz ganhou o Prémio Nobel da literatura em 1982 com o seu livro Cem Anos de Solidão. Escreveu : A Revoada, Horas Más, Os Funerais da Mamã Grande, Relato de um Náufrago, Crónica de uma Morte Anunciada, O Amor em Tempos de Cólera, O Outono do Patriarca e muitos outros.
É um lutador pelos Direitos Humanos e o saldo da sua luta é difícil de calcular com as injustiças que o mundo, explicitamente ou  implicitamente oferece aos mais desfavorecidos. Creio que, acredita veementemente que todo o ser humano merece viver com dignidade.
Os escritores considerados, em determinada altura da sua vida, como grandes romancistas foram Ernest Hemingway  e Graham Greene, entre outros.
Hoje Garcia Marquéz sofre de um cancro linfático e segundo seu filho Rodrigo, conceituado cineasta, ele  não reconhece as pessoas, a não ser pela voz. Vive em Cuba e  além de admirador é amigo pessoal de Fidel de Castro.

Obs: Garcia Marques é um dos escritores que eu admiro. Escolhi-o porque a  professora  Vera, disse-nos uma vez na aula, que o seu livro preferido era Cem Anos de Solidão.
Como agradecimento pela sua boa vontade e participação.

Ofélia cabaço  2012-06-10

quarta-feira, 21 de março de 2012

Quinta-feira, 15 de Março de 2012


SOMBRA

Desapareceu uma sombra, sinto que não vai voltar, as sombras fazem-me falta, conversam comigo, fazem-me rir, fazem-me chorar, fazem-me sonhar!
Agora, tenho apenas uma concha branca, aperto-a na minha mão para a segurar para sempre, no meu coração. Mas....ela vai fugir, eu sinto, na praia deserta não vou conseguir encontrá-la, quem sabe se a sombra não aparece? e, depois com um só olhar apazigua a minha dor.
Talvez eu seja a minha sombra, e sem saber como, perdi-me!
Mas, não vale a pena encontrar-me, já não sei sorrir!
Vou antes, procurar um duende e na sua floresta ficar, vou construir uma casinha com criptómerias, na porta vou colocar uma colmeia com abelhas inventadas, à noite vou conversar com os grilos e nas margens da ribeira prateada vou procurar a minha e a tua sombra. Elas são amigas, conversam às escondidas.
Talvez eu vá chorar até de manhãzinha. Vou esperar que o Sol nasça e me acaricie com as suas mãos de oiro!
Já não sei quem sou, se calhar nunca fui alguém, sou apenas qualquer coisa...... muito pequenina, mas que brilha no escuro!!!

2012-03-15
Ofélia Cabaço

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

OBSERVAÇÕES

Um dia, vinha eu no comboio Rossio- Algueirão, a conversar com uma amiga, acerca da falta de civismo que os portuguese têm em relação à higiene e aos cuidados de limpeza nas ruas dos nossos bairros, das nossas cidades e afins. Comentei que, hoje em dia, existe tanta informação que não chego a perceber como a geração mais nova   vendo televisão em quantidade muitas vezes exagerada,  sendo observadora no que  lhe convém, não consegue evoluir nesse sentido. Falei que a minha casa situa-se numa rua interior, onde não passam automóveis, essa  rua (que é a minha, onde moro) tem  flores e canteiros que eu, pessoalmente rego e trato na maior parte das vezes. Não obstante, agora que há uma escola secundária muito perto, os jovens nos intervalos das aulas ( creio que é isso) vão ao supermercado que também fica próximo e passando pela minha rua vão deixando os saquinhos das batatas fritas, as embalagens dos sumos, as latas de coca-cola e todo o lixo colorido de porcaria pelo chão........ será que são cegos?......será que são anormais?...... será que não sabem que o lixo não é para deitar no chão?. Todos os dias na televisão se fala disso, na escola fala-se disso, em muitas casas creio que se fala nisso........... o que pretendem esses jovens? Mesmo que tenham pais que  não estão preparados  para tal assunto, há a informação, há a aprendizagem do dever civico, há a escola, os professores etc,............ bom, a conversa era sobre este tema e a minha amiga vinha a comer um gelado e a partilhar o problema com algumas sugestões. Para meu espanto, quando a minha amiga acabou de comer o gelado, abriu a janela do comboio, ( naquela altura ainda se  abriam as janelas) e mandou o papel do gelado fora!!!!!!! Eu, não queria acreditar no que estava a ver!!!!!!!! depois....tenho mau feitio?
Ofélia cabaço - 2011-09-15

O Malmequer Roxo

No Domingo passado, observei uma cena comovedora na igreja. Foi celebrada a festa da Nossa Senhora da Boa Viagem, organizada pela comunidade negra, foi muito bonita e realizada durante a missa. Quando começaram a entrar as pessoas com os seus trajes de festa e com ar de muita satisfação, reparei numa senhora que trazia o seu menino pela mão, creio que deveria ter uns 5/6 anos sensivelmente.
Entraram em cortejo e de repente oiço uma voz infantil a chamar o tal menino, não percebi bem o nome, mas voltei-me e vi um quadro verdadeiramente cristalino de partilha e amizade, o menino que não era negro, ofereceu um malmequer roxo ao menino negro e disse-lhe: toma é para  a tua mãe! Senti o meu lábio inferior tremer,comovida! Agradeci a Deus ter-me ajudado a perceber que no coração daqueles meninos havia uma amizade e uma partilha que, se a sociedade onde estão inseridos os ajudasse, assim como as pessoas que os rodeiam, creio que, o futuro destes pequeninos seria bem mais risonho, envolto de camaradagem, de amor, de esperança. Assim se deveria construir novas sociedades onde as pessoas fossem extensivamente cumplices e edificadoras do bem para um mundo melhor, abolindo   para sempre com sociedades extemporaneamente evoluidas, partilhadas de demagogia e hipocrisia.

Ofélia Cabaço - 15 de Setembro de 2011

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O BOLO DE ARROZ

Numa manhã cinzenta de Outono depois de dar o pequeno almoço á sua neta a Senhora Amélia conversou com a sua filha mais nova dizendo: Tenho de comprar o livro de francês para  a pequena " mon ami pierrot" mas não sei como arranjar dinheiro para tantas coisas.
A matricula, agora a consulta de oftalmologia, vou tentar comprar-lhe o óleo de fígado de bacalhau, pois ela é tão alta, tão magrinha, não gosta nada de comer......... estou muito apoquentada, só não queria morrer e deixar esta menina ao desamparo já que os pais nem se lembram que ela existe.......
A Senhora Amélia de seguida chamou  a neta para acompanhá-la até á praça, local onde fazia as compras quase todos os dias,  barafustava com os vendedores para lhe venderem a fruta e as hortaliças  mais baratas.... ( sempre tudo tão caro, vocês pensam que andamos a roubar)....... eram momentos de confusão para a sua neta que detestava aquelas conversas ofensivas entre vendedores e a sua avó. Ás vezes até lhe apetecia esconder-se dentro do cesto grande de vime onde um dos vendedores arrumava as pimentas malaguetas.
Mas ,naqueles dias, a avó sempre lhe comprava na padaria da  Rua da Arquinha um bolo de arroz, quentinho e com sabor a limão, muito saboroso. A neta adorava, se bem que, nunca lhe pedia  nada. Naquela manhã, depois de ter ouvido toda a conversa com a tia Joana acerca do livro, da carestia da vida e das preocupações da avó, decidiu tomar uma atitude relativamente ao bolo de arroz quando chegasse o momento daquele prazer tão assíduo.
De regresso a casa passaram na rua da Padaria, a avó entrou e pediu o bolo de arroz e a neta disse: Mamã, ( porque lhe chamava mamã) hoje não me apetece o bolo de arroz, não tenho vontade! A avó comprou o pão habitual e nada disse. Na subida da Rua da Arquinha encontraram uma amiga da avó, que pertencia à familia Rebelo, e a Senhora achou a neta muito alta, muito bonita, elogiou muitissimo os seus olhos e achou-a parecida com o pai que por sinal, disse, que  já não o via há muito muito tempo.  E, a avó no meio da conversa contou:
Sabe, esta menina é observadora e preocupada, imagine que antes de sair, estive a conversar com a minha filha Joana acerca das dificuldades que tenho tido em relação ás despesas e, possivelmente, ela ouviu tudo, então, é habitual eu comprar-lhe um bolo de arroz  e hoje ela disse-me que não tinha vontade, uma coisa que ela adora é o bolo de arroz, mas certamente não quis que eu  gastasse dinheiro. Veja só como ela é preocupada e assim faz-me sentir muito triste, minha rica filha......
Afinal, a avó percebeu o sentir da menina, mas nem sequer conversou com ela, depois contou o caso á Senhora Rebelo, como se ela ali não estivesse. Aquela avó era uma mulher muito esperta e muito especial, era o mundo daquela neta!
Os tempos eram assim, as pessoas tinham a capacidade de se perceberem sem grandes conversas.

Ofélia Cabaço - 2011-09-09

Aquelas coisas...............

Terminaram as férias,o trabalho recomeça em força. Sentimos que temos mais vontade de resolver coisas, especialmente aquelas coisas que ficaram penduradas no estendal de curiosidades sem formas e  certezas. Todos os anseios e conversas ficaram sem explicação.
Nesta nossa vida atribulada, onde a luta e a capacidade de fazermos muitas coisas nos assalta e nos faz  girar sem reflexão, sem sentido, só de quando em vez, uma luz nos faz clic e meigamente, serenamente, nos aquece a alma..............ficamos parados a olhar o vazio e a lamentar o que queríamos fazer e não fizemos, o que queríamos dizer e não dissemos...........
Somos cada vez mais, individuos/as calculistas, medrosos, desconfiados e estes adjectivos tomam conta de nós sem darmos por isso, porque o mundo, a vida, as pessoas surpreendem-nos em cada dia que passa. Não é isso que  queremos! Também, não vale a pena sermos liricos, mas é nossa obrigação olhar para quem gosta de nós e desfazer o tal estendal,   deixar  em seu lugar, mesmo que seja no ar, suspenso como um balão colorido e frágil, o tal diálogo simpático acompanhado de um lindo sorriso, sentados, momentaneamente felizes, num cadeirão com braços possantes e seguros! E, depois, á noitinha, quando o mundo sossega para adormecer , quando as pessoas param um pouco, rebuscam com mais serenidade os seus ânseios, espreitam com mais clareza as suas almas, escutam os seus corações, saboreiam com água na boca aqueles momentos! Aí há paz, há envolvência, há amor, há humanidade, há tudo!!!!

Ofélia Cabaço- 2011-Setembro-09